quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Minha lonjura

Na madrugada mais fria que havia
Eu caminhava pelas ruas
Escuras vazias azuladas vias, onde só se desconhecia,
Mas minhas pernas eram todas suas
Porque pensava e amava você, muito, tanto, te queria,
Então caminhava à sua procura.
Se subia, se descia, se ventava e chovia,
Não importava a lonjura.
Tudo que guiava era o que eu sentia.
Ia para te curar, ia para me dar cura
E quando me beijasse, eu te beijaria, e a gente sorriria,

Enquanto estes todos outros esqueceram que são humanos...
...E não meras esculturas,

Eu ainda continuo buscando pela madrugada fria,
Mas não importa o quão seja ela dura,
Caminharei até te encontrar, te sentir clarear quente o dia
E não importa se for fria, e qual seja a lonjura...


por André Carvalho.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tsuru

Folhas e flores se dão a encantar este jardim, a minha vida,
Mas entre tantas e tantas cores, os teus olhos negros sim desviaram meu olhar
E os teus cabelos flutuando entre as flores, entre as folhas coloridas
Sem bem se saber qual era a origem do tão apaixonante perfumar.

Fora então que reparei, e só podia reparar da maneira mais ferida,
Que já te amava e te queria, mas que não poderia você me amar...
Pois eis que só sou um origami preso numa porta só saída
E me reparava, tal dobrada forma fixa, de um simples papel branco ao vento soprar...

E a hora, em que o negrume de teus olhos iam à brancura da minha vida,
Era sofrida.

Agora voltou o vento que com o tempo volta, mas já não te vejo mais voltar.
Folhas e flores estão ali, mas já não há qualquer perfume e são tão descoloridas
Que já não mais me importa este jardim para olhar,
Eu só queria te abraçar, tanto te beijar,
Minha querida,
E voar.

Agora

Vai chegar uma hora em que eu terei de ser tudo,
Que terei de ser todos
Para o sobreviver.

Vai chegar uma hora em que já não terei mais escudos,
Que me infiltrarei a esses doidos
Para o proteger.

Pois eu vejo o vazio preencher tudo a cada segundo,
Como um vício gostoso
De quem o quer ter,

Tal qual o Governo, ao invés do público só bem serve a seu mundo
e se acha sobretudo e todos o todo-poderoso,
Desfrutando em seu prazer ligado à morte e ao sofrer.

Tal qual já se vive a era dos chips, robôs, ets...o passado temido futuro,
Exalada dos desvalores celebrados pelo confuso povo,
Em não ter respeito, simplicidade e identidade...em se desfazer.

E nisso eles, poder e povo, são esse vazio, um nada, um igual e oposto tudo,
E nessa hora eu que ainda serei o estranho, o maluco, o louco,
Mas, sim, eu serei eu,

Para viver,
Até morrer.

(de André Carvalho).