Quis com a noite para sempre o lobo ficar,
Mas a noite, aquela, de estrelas pesadas, cansadas, confusas
Não encontrou a Lua Cheia àquela que o lobo iria uivar,
Noite tão linda, jamais se olhe e sinta culpa,
Tu destes tua lua para cães a ladrar.
Hoje tu sabes que há o lobo que a procura
Porque tua lua é graciosa e só merece amar,
Mas o lobo fareja por vias tão escuras,
Que começa a ver à Lua Nova seu amor compartilhar
De uma noite tão bela e negra como cabelo de índia pura,
Dona de estrelas brancas, sob o som de cordas a apaixonar,
Lobo, lobo, perdido entre as noites desejando a mais justa,
Lhe importa muito à Lua Cheia, como doeria vê-la esvaziar...
E quer tanto a Lua Nova, que já a considera tão certa, tão sua...
Mas o lobo não é como o canino que se deixa levar,
Ele é a verdade obtida por lutas, logo ele não fala, ele jura.
Quem sabe alguma noite lhe entregue sua lua, o amor, e o deixe uivar...
Se entregue de razões e de desejos, de verdade e de vontades, todas nuas,
E se deixe, e o deixe, naturalmente,
Amar.
"Lobos", por André Carvalho.
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